sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

RESENHA: “O Velho e o Mar”, por Ernest Hemingway

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Título original: The Old Man and the Sea
Autor (a): Ernest Hemingway
ISBN: 9788528617986
Páginas: 126
Editora: Bertrand
Ano da edição: 2013 (80ª edição)

Esse livro, ah, esse livro! Foi difícil concluir a leitura! Mas antes, vou contar como eu o adquiri. Por apenas R$ 16,00 dilmas eu o comprei na última Feira do Livro da USP – feira esta em que todos os livros devem estar com, no mínimo, 50% de desconto. O interesse em lê-lo surgiu depois de eu ganhar uma biografia do autor, A Boa Vida Segundo Hemingway (e não fazia sentido lê-la em maio para o Desafio Literário Skoob 2014, sem ter lido nenhuma obra do autor).

O Velho e O Mar tem como personagem principal Santiago, um velho pescador que está há 84 dias sem pescar. Por conta da má sorte, os pais de um garoto que o ajudava ordenam ao rapaz que se associe a outro barco, pois Santiago não é mais um bom pescador. O garoto, mesmo pescando por outro barco, continua amigo do velho, pois reconhece que Santiago tem muito a ensinar a ele. Inclusive, o garoto tem vontade de voltar a pescar com o velho, mas os pais não aceitariam. Mesmo assim, o garoto o ajuda a conseguir algumas iscas para a pesca do dia seguinte. No octogésimo quinto dia, mais uma vez sozinho, o velho parte para o mar, resignado a em fim pescar um bom peixe – talvez inspirado no pensamento de que “(…) o homem não foi feito para a derrota. (…) Um homem pode ser destruído, mas nunca derrotado." p. 102.

A história é interessante. Pude conhecer sobre a vida sofrida dos pescadores de Havana na primeira metade do século XX, que, em sua maioria, eram muito pobres e percebi a falta de saneamento básico da ilha, como se pode ver abaixo, através da preocupação do garoto com relação a Santiago:

- (...) Só queria era ter tempo para me lavar.

“Onde você poderia lavar-se?”, pensou o garoto. O depósito de água da aldeia ficava lá para baixo, duas ruas além, indo pela estrada. “Preciso trazer-lhe água para a cabana, sabão e uma toalha nova", continuou a pensar o garoto. “Por que será que nunca penso nessas coisas? Tenho de arranjar outra camisa para ele, um casaco para o inverno e uns sapatos, além de outro cobertor”. p. 24

O modo como a história é contada, entretanto, é um pouco cansativo. Quase 40% do livro – cerca de 50 páginas – são em uma única cena!!! O pior é que essa parte do livro é muito monótona. Como Santiago está sozinho, essa cena é composta, basicamente, por pensamentos dele ou,  às vezes, conversas em voz alto consigo mesmo, com algumas intervenções do narrador. O que me deixava mais intrigada é que o livro é curto, só tem 126 páginas, mas demorei quase 20 dias para lê-lo. Para mim, pareceu a mesma luta travada pelo velho no mar. Enquanto ele tenta vencer algo, eu tentava vencer a leitura!

Essa foi a minha primeira experiência com a escrita do Hemingway. Na introdução do livro, é descrito um pouco sobre o modo dele de escrever:

"Hemingway buscava uma prosa calcada na linguagem jornalística (…), sem embelezamentos, econômica e contundente, quase descritiva, baseada em verbos e substantivos e não em adjetivos ou no que considerava excessos emotivos." p. 7

Com isso, entendo o modo como é narrado o livro, como os personagens são constituídos – personagens esses que, em sua maioria, são homens e pelo que percebi, apenas uma mulher é citada na história. Em seus devaneios no mar, o velho lembra de um certo peixe que pescou, mas que o marcou. A descrição da cena é exatamente como é dito no excerto acima sem embelezamentos, econômica e contundente, quase descritiva.

Na mesma introdução é feita uma ligação com outros autores como F. Scott Fitzgerald e John dos Passos, pois eles, assim como Hemingway, pertencem à Geração Perdida, termo este que foi cunhado por Gertrude Stein. Para Hemingway, isso significava que “eram perdidos porque os valores que haviam herdado já não tinham nenhuma relevância num país como os Estados Unidos, que julgava corroído pelo provincianismo, pelo materialismo, e desprovido de emoções autênticas.". Penso que isso tem muito a ver com a mensagem final que o livro trás: um pessimismo, talvez influenciado pelo contexto da época, o pós-guerra.

Enfim, eu não gostei muito do livro. Gosto sempre de ver como os meus amigos do Skoob avaliaram os livros que estou lendo e a maioria também achou mediano. Pelo aspecto social, acho uma leitura importante, mas, como disse, aquela cena foi chata, demorada – apesar de não encontrar outra forma de narrá-la, mas é isso, não gostei. Mesmo assim, recomendo o livro para todos e espero relê-lo daqui a alguns anos para ver se minha opinião mudará.

3 estrelas

Essa resenha compõe o 1º item do Desafio Literário Skoob 2014:

Livro que virou filme

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ps.: sobre a adaptação, ainda não tive a oportunidade de assistir. Mas assim que o fizer, atualizo o post com os prêmios que tiver ganho. Falarei sobre o filme no resumo do mês.

4 comentários:

  1. Li esse livro há um bom tempo, emprestado de uma tia, naquela edição da Bertrand (que dizem ser de péssima tradução), planejo reler um dia, por que achei a história muito linda. E de uma sensibilidade incrível, que me tocou muito. Abraços.

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  2. Oi, Mariana!
    Gostei muito da resenha. Eu ainda não li esse livro, mas acho que algo que dissestes era bem a ideia do Hemingway, pelo o que já li sobre ele: "pareceu a mesma luta travada pelo velho no mar". :)

    Já assistiu "Meia noite em Paris" do Woody Allen? Tem um Hemingway bem legal no filme, da época em que andou com o Fitzgerald e com a Gertrude Stein.

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  3. Mari querida
    Adorei a resenha
    Tbe nao li ainda. O que eu li, Gastby, do Fitzgerald, tbe nao sei bem se gostei...sao leituras muito diferentes!
    BJks mil

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  4. Meu sonho era ter uma amiga que faz resenhas uahsuahsuash
    Gostei da resenha Mari.

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